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Como calcular o custo de uma peça impressa em 3D

O custo de uma peça é a soma de material, energia, desgaste, seu tempo, embalagem e as impressões que falharam, dividida pelas peças que saíram boas.

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Como calcular o custo de uma peça impressa em 3D?

Some seis parcelas e divida pelo número de peças boas: material, energia, desgaste da impressora, o seu tempo, embalagem e o prejuízo das impressões que falharam. Quem para na primeira parcela chega a um número que parece bom e não paga a conta no fim do mês.

Peça de exemplo: 132 g de filamento, 5 h 15 de impressão, duas peças por vez, filamento de R$ 89,90 o quilo
MaterialR$ 5,93
EnergiaR$ 0,26
ImpressoraR$ 1,05
Mão de obraR$ 8,25
EmbalagemR$ 1,20
FalhasR$ 1,26
Custo por peça boaR$ 17,95

Cada peça boa custa R$ 17,95. O material, que é a parcela que todo mundo lembra, responde por pouco menos de um terço do total. O seu tempo pesa mais.

Divida sempre pelas peças boas, nunca pelas impressas. Se saíram dez e duas empenaram, o custo das dez recai sobre as oito que você tem para entregar.

Com o custo na mão, o passo seguinte é o preço: quanto cobrar por uma impressão 3D parte deste número e aplica a margem e as taxas do canal.

Como achar o custo de material da peça?

Divida o valor que você pagou pelo rolo pelo peso de filamento que ele traz, e multiplique pelos gramas da peça. Um rolo de R$ 89,90 com 1 kg dá R$ 0,090 por grama, e na peça de exemplo isso dá R$ 5,93 por peça.

Os gramas da peça não são só a peça: entram o suporte e a purga da troca de cor. O fatiador informa os três; some antes de multiplicar.

Use o preço que você pagou, não uma média de mercado. Comprou um lote em promoção? O custo daquele lote é menor, e a peça feita com ele custa menos.

O peso que o rolo realmente traz também muda essa conta, e quase nunca é o da etiqueta: como saber quanto sobra em um rolo explica a pesagem com desconto de tara.

Quanto entra de energia no custo?

Multiplique a potência média da impressora pelo tempo de impressão e pelo preço do seu kWh. Uma impressora a 120 W durante 5 h 15 consome 0,63 kWh; a R$ 1,12 o kWh, sobram R$ 0,26 por peça quando duas saem da mesma impressão.

É quase sempre a menor parcela da conta, mas é a que mais assusta quem nunca fez o cálculo. Fazer a conta uma vez resolve a dúvida para sempre.

A potência de pico do catálogo não serve. A mesa aquecida puxa forte no começo e depois desliga em ciclos; use a potência média de impressão, que costuma ficar bem abaixo do pico.

Como cobrar o desgaste da impressora?

Divida o valor da impressora pelas horas que você espera imprimir com ela, e some o custo anual de peças de reposição na mesma base. Uma máquina de bancada de R$ 3.500 com vida útil estimada de 8.000 horas custa cerca de R$ 0,44 por hora só de depreciação. O custo por hora de cada modelo está no catálogo, com a conta aberta, e de onde sai a vida útil é a pergunta que decide esse número: nenhum fabricante publica o dele.

Some bicos, correias, tubo de PTFE, placa de construção e a manutenção que você faz. É esse total por hora que entra na peça, multiplicado pelas horas que ela ocupou a máquina.

Preciso cobrar o meu tempo?

Sim, e é a parcela mais esquecida e a mais cara. No exemplo acima, os 22 minutos de preparo e acabamento custam R$ 8,25 por peça: mais que material, energia e máquina somados.

  • Preparar o arquivo e fatiar
  • Preparar a mesa e iniciar
  • Retirar a peça e remover suporte
  • Lixar, montar, conferir
  • Embalar e despachar

Defina quanto vale a sua hora e cronometre uma vez cada etapa. Não precisa ser exato; precisa existir na conta.

Imprimir várias peças de uma vez barateia?

Barateia, e bastante, porque o tempo se divide. O material continua proporcional ao número de peças, mas a energia, as horas de máquina e o seu preparo são os mesmos para uma ou para seis peças na mesma impressão.

Na peça de exemplo, passar de duas para quatro peças por impressão derruba o custo unitário quase um terço. É por isso que arranjar a mesa cheia costuma render mais que otimizar o preenchimento.

O limite é o risco: uma falha no meio de uma mesa com seis peças perde as seis. Quanto maior o lote, mais a sua taxa de falha real importa.

E as impressões que falham?

O material e as horas de uma impressão perdida não somem: eles recaem sobre as peças que ficaram boas. Se 7 em cada 100 impressões falham, cada peça boa carrega cerca de 7,5% de custo a mais.

Anote as falhas por algumas semanas antes de escolher um percentual. Uma taxa chutada para baixo é a forma mais silenciosa de trabalhar de graça.

Quais são os erros mais comuns nessa conta?

  • Contar só o filamento. É cerca de um terço do custo; o resto fica invisível até o mês fechar apertado.
  • Esquecer o próprio tempo. É quase sempre a maior parcela, e a única que não aparece em nenhuma nota fiscal.
  • Dividir pelas peças impressas. O custo das que falharam precisa recair sobre as que ficaram boas.
  • Usar o preço médio de mercado do filamento. O que importa é o que saiu do seu bolso naquele rolo.
  • Ignorar suporte e purga. Eles saem do mesmo rolo e não viram peça vendável.
  • Cobrar por grama. Duas peças do mesmo peso podem ocupar a impressora por tempos muito diferentes.

O último tem guia próprio: por que cobrar por grama engana.